RVK009 – Eu era feliz… e sempre soube

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Quem nunca se pegou parado pensando na adolescência? Em como era divertido brincar de queimado, bandeirinha, meu mestre mandou, pique esconde, salada mista e tantos outros? Videogame na casa dos amigos era raro, mas também era uma boa opção!

A simplicidade de ficarmos sentado na calçada com os amigos até tarde da noite… Sentado na calçada a noite, hoje em dia? Nem pensar!

Época boa e porque não saudosa? Brincávamos com os amigos logo após a escola, até mesmo sem almoçar ou jantar, tamanha era a vontade de estarmos juntos. Andar de bicicleta no meio da horta do bairro, achando que era uma pista de bicicross. Cair, se ralar todo e continuar. Não se importar para tantos machucados.

No pique-esconde a onda era se esconder nos piores buracos. No pique-alto era escolher um lugar capaz de deixar o próprio Homem Aranha com inveja.  Já no pique-pega eu me achava o próprio “the flash” (quem lembra da série?), corria tanto até tropeçar no paralelepípedo solto, e arrumar um “tampão” no dedão do pé. Idêntico ao que ganhávamos com o “golzinho” na rua!

Segredos de infância, quem não teve? Os vasos que se quebravam do nada, janelas abatidas com boladas certeiras. Nunca cedi à pressão dos “interrogatórios”. Afinal para a minha mãe eu nunca faria isso, SQN!

Lembro que mantive segredo de um braço quebrado ao cair de uma árvore, quando brincava de Tarzan. Foi uma “arte” esconder isso dos meus pais, afinal eu me achava o próprio Wolverine. Ou seja, logo o braço ia se curar sozinho, como uma gripe. Porém não deu certo e fui descoberto ao cortar um pão com o braço esticado e fazer aquela cara de sofrimento.

Eu morava em um condomínio no Bairro de Bento Ribeiro, zona norte aqui do Rio de Janeiro. Passava um rio nos fundos dele, que virava um “playground” para os mais corajosos. Lá consegui meu primeiro machucado de verdade, um corte profundo na perna.

Isso aconteceu quando eu e meus amigos brincávamos de pique no meio do matagal. Era fácil se sentir no jogo pitfall pois havia armadilhas em todo lugar. Infelizmente caí em uma delas e um capim navalha me cortou fundo na perna. De quebra além dos “pontos” na perna ganhei também um bônus: Três “pontos” na língua. Isso mesmo, consegui em um salto sobre a vala do esgoto, morder minha própria língua, um verdadeiro COMBO!

Tínhamos brincadeiras menos audaciosas como jogar queimado. Quem não lembra ou nunca jogou, eu explico: dividíamos a turma em dois grupos, um de cada lado e tentávamos acertar uma das pessoas do outro grupo com uma bola. E assim ia até acertarmos todos e vencer o jogo. Essa era uma das minhas brincadeiras preferidas. Lembro que tinha uma menina nova na rua e vamos assim dizer, não tínhamos simpatia um pelo outro. Éramos rivais e em uma partida, eu a acertei tão forte que “destruí” a sua perna. A briga que veio a seguir deixaria Ryu e Chun Li com inveja.

Segue abaixo um um vídeo que mostra era se divertir, sem a dependência dos aparelhos eletrônicos de hoje em dia.

A palavra bullying nunca faria sentido para nós. Na realidade acho que essa palavra nem sequer existia. As brincadeiras com amigos negros, baixinhos, que usavam óculos eram sadias, às vezes pesadas, mas no fim das contas todos estavam rindo. Hoje já se fala em processo e tudo mais. Eu sempre fui zoado por conta de uma doença que tinha. Me apelidaram de “cavalo de bandido” e não morri por isso.

Agora, o que era a brincadeira “salada mista”? A ideia sempre foi beijar a menina que mais lhe interessasse. Na hora que se tampavam os olhos e vinha a pergunta “é essa?” Dava frio na barriga e tudo. Lógico que sempre tinha um amigo que lhe dava aquela moral e sem ninguém perceber, avisava a hora certa de dizer sim.

Por isso sempre beijei a minha preferida. Às vezes rolava uma zoação e acabava beijando aquela baranga que ninguém queria, ops… olha o bullying, desculpe!

Os namoros eram inocentes comparados aos de hoje. Amigo que apresenta a amiga, que tem outra amiga e pede pra “botar na fita”. Namoro no portão e nada na surdina. Amigos em comum todos juntos no portão dela. E no fim quando todos iam embora e na hora de rolar aquele beijo, eis que aparecia o “empata”: o pai dela. Às vezes era uma “missão impossível” beijar a amada.

No cinema no máximo rolava um beijinho sem maldade. Óbvio que havia aquela vontade de transar com a menina, mas não era isso o que realmente nos movia,  e sim o prazer de estar perto. Quando a “pressão” era hora de um bom banho para “relaxar”.

Agora liguem alguns pontos abordados acima: a menina nova da rua que eu sempre brigava nas partidas de queimado, namorar escondido pelo condomínio, levar para o cinema. Bem clichê né? (rs). Sobre a menina, posso dizer que ela foi o meu primeiro grande amor e que ocupa um espaço muito bem guardado em uma parte do meu coração.

Sempre fui tímido então demorei para me envolver em um relacionamento sério. Eis então que surgiu aquela que seria a mãe de minhas duas filhas, que consegui me amarrar depois de vários ”cúpidos”, e pasmem: Tudo começou numa simples aposta.

Acertar uma pedra dentro de uma lata e ganhar um grande beijo. Claro que ambos sabiam o que queriam, a aposta foi só um meio de concretizar a vontade mútua. Lembro que nesse dia tive de viajar. Eu fui, mas depois do beijo queria mesmo era voltar para  curtir o mais novo namoro.

A vida passa, a aposta perdeu sua validade e cada um hoje tem sonhos independentes.  Hoje no limiar de meus 46 anos, agradeço a Deus por ter me proporcionado essa caminhada e estou pronto para mais aventuras.

Aos saudosistas que dizem: “Eu era feliz e não sabia” eu digo: Como assim? Minha felicidade não acabou! Ela continua sempre!

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4 Comentários

  1. Celso Damião Hemetério dos Santis on

    Lindo, parabéns, atravéz dá leitura, senti saudade dá minha infância, viagem do tempo, foi ótimo.

  2. Cassio Carlos on

    Ótimo texto Marcelo, é incrível que mesmo não sendo de sua geração, eu me identifiquei com muitas coisas ditas no texto, foi uma época fantástica, sei que é meio clichê e talvez até brega dizer isso, mas com certeza essa geração de hoje não sabe o que é se divertir de verdade, enfim, ótimo texto, parabéns!!!

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