RVK003 – Falcon – O Primeiro Brinquedo

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No inicio dos anos 70 era lançado no Brasil, pela Estrela, um Boneco de Plástico, mal-encarado, barbudo e com uma tremenda cicatriz no rosto. A versão brasileira do G.I. Joe americano. Ele foi chamado FALCON.

Acredito que ele tenha sido o grande brinquedo dos meninos dos anos 70 e 80. Em suas várias versões, aviador, montanhista, mergulhador, caçador, soldado. Todos queriam ter um Falcon.

Eu não fui diferente. Tive vários brinquedos ao longo da minha infância, mas tenho que admitir que o barbudo foi o meu número um.

Na minha época o Falcon era o chamado “brinquedo do natal”. O mais caro, aquele que o Papai Noel iria trazer no dia 24. Um parêntesis aqui: hoje que sou pai de dois filhos vejo a injustiça que era feita ao meu pai, que devia gastar boa parte do 13º salário dele em brinquedos para os filhos para no final das contas o senhor de vermelho e barba branca levar todo o mérito. Mas sem ressentimentos… Vamos continuar.

A coleção Falcon na minha época já estava influenciada pela saga Star Wars e contava com um visual mais futurista.

Ele tinha um inimigo chamado Torak que usava um capacete de metal cromado, capa preta, mão de metal, e um canhão de raios no peito. Lutando ao lado do herói barbudo estavam um androide vermelho, que portava uma espada Laser chamado Condor e um robô chamado Roboy (nome criativo não?).

Condor e Torak foram meus primeiros bonecos. Meu irmão ganhou o Falcon que vinha com o Roboy. Nós tínhamos então a coleção completa. Brincamos e brigamos juntos com eles durante grande parte daquele ano.

Mas eu tinha um vazio. Faltava para mim o chefe da equipe. Um Falcon para todos liderar. Então no natal seguinte pedi ao “Papai Noel” o meu Falcon. Barba preta, olhos de águia. Ele portava uma “metralhadora nuclear” e por consequência uma mascara de proteção (parecida com aquelas dos soldadores industriais).

Possuía ainda cinto com uma pistola no coldre e por fim duas máscaras para disfarce. Espetacular! Mas não foi tudo. Ganhei também um buggy com um radar e fones de ouvido.


Este talvez tenha sido um dos natais mais felizes que tive. Os dias a seguir foram horas de diversão e aventuras sem igual.

Mas um dia, mais cedo que eu esperava, as coisas começaram a mudar.

Exatos cinco meses depois daquele maravilhoso natal, ao ser retirado do seu buggy após uma exaustiva missão, Falcon deixa sua perna no carro. Isso mesmo. A perna esquerda do herói solta-se do resto do corpo.

Terror. Pânico. Choro. Tenho pena do que minha mãe deve ter aguentado naqueles dias. Claro que isso não significou a aposentadoria Falcon, algumas gambiarras com fita adesiva e cola, devolveram a perna ao seu lugar. Mas obvio, não foi a mesma coisa, e a perna era o prenúncio do que viria a seguir.

Logo os dedos começaram a se partir. O primeiro você pouco liga, troca de mão a arma e segue a vida. Mas depois se perde outro e outro. Quando percebe, só restou o polegar e para segurar a arma uma fitazinha sempre ajuda.

Não pense caro leitor que eu era um destruidor de brinquedos. Longe disso. O problema era que as articulações dos bonecos eram feitas de borracha e após um tempo elas se rompiam, seja pelo esforço repetitivo ou por desgaste natural mesmo.

Assim, meses depois Condor estava praticamente no ferro velho, somente a espada se aproveitava. Torak era pouco mais que uma cabeça, tal qual o olho de Sauron no Senhor dos Aneis, e Falcon… prefiro não comentar. Parecia que a era Falcon chegava ao fim.

Foi ai que entrou a criatividade da minha mãe dizendo que tinha como consertar o herói barbado. Primeiro ela costurou as mangas e bainhas, mantendo algumas partes originais, tais como mãos, tronco e cabeça. O resto ela preencheu com espuma. Aparentemente meu imponente Falcon tornara-se uma pelúcia.

E a minha reação? Eu adorei. Primeiramente ele estava inteiro de novo. E depois, estávamos na época dos brucutus no cinema. Filmes como “Rambo 2”, “Comando para Matar”, “O Predador” e “Cobra” levavam milhões às salas de cinema. O enchimento fez o Falcon musculoso ao extremo. Bane (inimigo do Batman) perdia fácil na queda de braço com ele.

E assim, o Falcon ganhou uma sobrevida e continuou a liderar meus outros brinquedos, revezando com Argus esse posto. Esse último um dia poderá será alvo de uma crônica.

Então eu cresci, casei, tive filhos mas nunca o abandonei. Eu ainda o tenho, junto com o Buggy e outros brinquedos. Agora mais experiente, penso numa forma de remonta-lo. Estou pesquisando em alguns sites especializados formas de aproveitar o que sobrou, e espero em um futuro não muito distante, publicar aqui o seu retorno, não mais como um brinquedo mas como uma autêntica “Action Figure”.

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2 Comentários

  1. Caro amigo, muito legal o seu relato. Não sei se vai te ajudar, ou se vc já deu um jeito, mas com o passar do tempo, aquelas crianças que sofreram com a sindrome da deterioração do Falcon tornaram-se adultos e de tanto quebrar a cabeça, desenvolveram métodos de restauro do Falcon hehe. Segue um link de um amigo especialista em restauro que tem um método fácil e didático de reformar o falcon. aliás, em julho a Estrela vai relançar o Falcon, uma boa oportunidade de presentear os filhos ou até guardar um de recordação. abs!

    http://flockwill.blogspot.com.br/2014/04/metodo-para-restauracao-do-corpo-do.html

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